Thursday, November 4, 2010

15 de novembro no são Luiz apareçam!


15 de Novembro

11h [Sala Principal ~ SLTM]
Práticas de escrita para a cena contemporânea portuguesa
seminário com Carlos Costa [Visões Úteis -Porto]

15h [Jardim de Inverno ~ SLTM]
Apresentação do projecto Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas
com Aida Tavares, John Romão, Jorge Salavisa, Mickael de Oliveira e Rui
Pina Coelho.

15h30 [Jardim de Inverno ~ SLTM]
Do texto para palco ao palco como texto
Conferência de Bruno Tackels, seguida de conversa com Jorge Silva Melo

17h30 [Sala Principal ~ SLTM]
Sessentas-Setentas
Leitura performativa a partir de textos dramáticos portugueses escritos
antes da revolução e nos primeiros tempos da democracia
Direcção de Francisco Salgado com alunos da Escola Superior de Teatro
e Cinema [Lisboa]
Apoio Escola Superior de Teatro e Cinema

19h [Jardim de Inverno ~ SLTM]
Oitentas-noventas
Leitura performativa a partir de textos dramáticos portugueses pósrevolucionários
Direcção de Luís Mestre com alunos da Escola Profissional Balleteatro
[Porto]
Apoio Escola Profissional Balleteatro

21h30 [Foyer ~ SLTM]
Leituras Performativas dentro e fora do SLTM
com textos inéditos de A. DaSilva O., Alice Zeniter [FR], Cristián Soto
[CHI], Jorge Humberto Pereira, José Maria Vieira Mendes, Mickael de
Oliveira, Miguel Castro Caldas, Tiago Rodrigues, Ronan Chéneau [FR].

Direcção de Nuno M. Cardoso,
com Albano Jerónimo, Bruno Costa, Ísis
Cayatte, Joana Vale, João Abel, João Brite, Luísa Cruz, Ricardo Correia,
Rita Loureiro, Sandra Roque, Sílvia Almeida e Teresa Tavares.

Assistência de encenação de Marta Mateus e Marta Soares. Tradução do francês de
Alexandra Moreira da Silva e do castelhano (Chile) de John Romão.
Neste âmbito serão desenvolvidos percursos pelo que se aconselha calçado confortável e
roupa adequada ao exterior

23h30 [Café Fábulas ~ Chiado]
Bláblá com música de fundo, conversa informal à volta de um copo entre os
técnicos, artistas, autores, curiosos e noctívagos

Friday, October 8, 2010

A República acordou com ressaca


de Inês Nadais



O que aconteceu na Rotunda no 5 de Outubro de 1910, mais todo o século a seguir, até este Outono em que a melhor coisa que nos pode acontecer é o FMI: "República/s" é O Teatrão a olhar para este país cheio de dívidas e a perguntar o que é feito daquilo que íamos ser.

Temos andado a falar de muitas coisas, quando falamos da República, neste Outono em que ela faz cem anos e a melhor coisa que nos pode acontecer é o FMI, mas era bom que trocássemos ainda mais ideias sobre o assunto: aqui, nas "República/s" que O Teatrão ontem estreou na Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra, fala-se do "bandalho, pernicioso" do Afonso Costa ("Que te há-de um português chamar (...) ante o teu merecimento de insultos, ó hiper-tudo-isto?"), do dia em que o Visconde da Ribeira Brava virou a casaca, dos rapazes que fizeram a greve de 69 e agora estão a engordar no Parlamento (ou então se tornaram assessores), do Manuel Alegre enfiado no Mário Soares e até, bardamerda, do FMI ("O FMI é só um pretexto vosso, seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma").

Como estamos em Coimbra, além de se falar dessa República e dos cem anos que já tem em cima, também se fala das repúblicas (casas de estudantes) lá de casa - dessas Repúblicas dos Pequenitos que, como a República dos grandes, acordam ao meio-dia, de ressaca, cheias de dívidas "aos sociais" e de grandes dramas acerca do que é feito daquilo que íamos ser (tudo porque, enfim, poucas coisas nestes cem anos correram como deviam ter corrido, e ainda por cima acabou o gás). A ideia veio do encenador, o brasileiro Marco António Rodrigues, colaborador regular do Teatrão (montaram juntos "O Círculo de Giz Caucasiano", de Bertolt Brecht, em 2008, e em Dezembro vão montar a "Noite de Reis", de Shakespeare): "Há uns tempos atrás, o Ricardo [Correia] fez um espectáculo que percorria a cidade e passava por uma república. Eu achei que iconograficamente aquilo tinha uma força... Falei para eles: 'As repúblicas são uma coisa tão local, só têm um similar em Ouro Preto que é copiado daqui, vocês deviam pensar em cima disso'", explica.

Pensaram em várias coisas ao mesmo tempo: nos cem anos da Implantação da República (sobretudo a partir da versão, digamos, iconoclasta de Rui Ramos nesta última "História de Portugal", mas também da tradição satírica praticada nos tempos da I República, da caricatura à farsa sexual), na experiência comunitária das repúblicas de estudantes coimbrãs, em Aristófanes, no número televisivo dos "Homens da Luta" e nas inverosímeis peripécias recuperadas por Adelino Gomes e José Pedro Castanheira em "Os Dias Loucos do PREC", lembrete de como todas as revoluções portuguesas têm a sua veia tragicómica.

Esta, a revolução republicana, é particularmente dada à tragicomédia - e é por isso que o texto, que Jorge Louraço Figueira montou a partir de todas as fontes disponíveis e das contribuições dos actores, convidados a escrever cenas da peça, vai muito pela derrisão. Não havia outra maneira de fazer isto que não fosse cantando e rindo (mas cantando e rindo como forma de intervenção), justifica o encenador: "Vocês têm de rir disso, porque a tragédia já está instalada no quotidiano. Tem havido muitas perdas aí, pelo que percebo". Tal como na revolução republicana, tudo o que pode correr mal irá correr mal nesta república de raparigas, até à noite em que elas não chegarão a queimar o soutien na rua, em protesto, mas pelo menos irão tirá-lo.

Passado e presente

Não que a moral da história seja necessariamente má - há lugar aqui para algum revisionismo acerca da I República, mas também há simpatia por Machado dos Santos, o homem que ficou na Rotunda no 5 de Outubro de 1910, quando tudo parecia perdido, e até por todo o século que veio a seguir. "Talvez eu, por estar de fora, olhe para a história da República com mais interesse do que vocês. É uma grande luta, um século grande de 120 anos em que Portugal faz avanços enormes. É claro que o centenário chega numa altura sui generis, com o FMI a ameaçar vir outra vez e a União Europeia a tentar pôr-vos de joelhos. Mas isso não significa que o salto não tenha sido de gigante. Aliás, é na medida em que o Estado perde poder que os cidadãos podem recuperá-lo", argumenta Marco António Rodrigues.

Tal como o olhar sobre a República, também o olhar sobre as repúblicas, que de resto participaram activamente nas acções paralelas ao espectáculo que estiveram na rua até terça-feira, é ambivalente. "Ao mesmo tempo que têm coisas muito libertárias, têm outras que são muito conservadoras. Houve uma coisa que me impressionou muito, que foi o jantar: à noite todo o mundo está na mesa, todo o mundo janta junto. Isso também tem a ver com uma tradição muito própria de oralidade. Em todas as repúblicas que visitámos, todo o mundo quis contar histórias dos repúblicos que passaram por lá, dos repúblicos que ainda lá estão agora. Há realmente uma memória que é preservada. As repúblicas têm muito esse lado de estarem com um pé no passado, na tradição, e outro no presente", sublinha o encenador.

"República/s" também tem um pé de cada lado: isto é o que éramos, e é o que somos. Não somos um país brilhante, temos dívidas, dramas e o FMI a aterrar na Portela, mas ninguém faz isto com a nossa calma. Nem com tanta piada.

fotos do espectáculo

Tuesday, September 21, 2010

Thursday, July 15, 2010

"Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente




estreia dia 21
"Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente
o TEUC no Teatro da Cerca de São Bernardo


A Escola da Noite acolhe no próximo dia 21 de Julho, quarta, às 21h30, no Teatro da Cerca de São Bernardo, a estreia de "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente, com encenação de Ricardo Correia, pelo Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), no âmbito da programação do II Festival das Artes de Coimbra.

Sinopse
O Auto da Barca do Inferno, foi representado em 1517 na Câmara da Rainha Dona Maria. Neste Auto, inscrito nas moralidades, chegam ao Cais da Morte várias figuras alegóricas que serão sujeitas a um julgamento Post-morten, numa dialéctica Condenação/Salvação, embarcando as figuras na Barca da Glória ou na Barca do Inferno.


Notas de encenação
Trazer à cena o Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, é uma proposta arriscada, mas que permite-nos a nós - os Fazedores, revisitar os genes do nosso teatro. A questão a colocar não é se faz ou não sentido fazer Gil Vicente hoje, a resposta é óbvia, mas deverá ser: como fazer Gil Vicente transpostos 500 anos? Como comunicar todas as suas nuances, a sua musicalidade, e integrá- lo no aqui e agora, sem esquecer que Coimbra, Gil Vicente, e o TEUC, traçaram tangentes tantas vezes.
Nesta encenação não pretendo actualizar, nem tão pouco fazer uma reconstituição histórica de um Portugal quinhentista, mas gostaria de burilar as suas palavras, de encontrar com as actrizes, seis por sinal, a sua fisicalidade, o seu jogo, e de construir uma trupe que joga entre o fazer vicentino e a memória desse fazer neste grupo de teatro universitário, re-inventando um novo caminho artístico.
Queremos, e agora uso o plural, fazer um espectáculo íntimo, um espectáculo que nasce da proximidade física, onde a comunicação seja feita olhos nos olhos, tal como foram os espectáculos apresentados por Gil Vicente na Corte, em pequenos espaços, e deste modo, rir deste Mundo às avessas, rir dos outros, rir do passado para inscrevermo-nos no Futuro.
Entramos na Barca, resta saber para onde nos leva...
Ricardo Correia





FICHA TÉCNICA
TEXTO Gil Vicente VERSÃO DE José Camões ENCENAÇÃO Ricardo Correia ELENCO Íris Ferrer, Maria Pinela, Mariana Ferreira, Nádia Iracema, Rafaela Bidarra, Susana Rocha CENOGRAFIA Bruno Gonçalves, Eduardo Conceição, Carolina Santos FIGURINOS Carolina Santos DESENHO DE LUZ Jonathan Azevedo SONOPLASTIA João Gil, Sérgio Costa FOTOGRAFIA TEUC 2010 CABELEIREIRO Carlos Gago COSTUREIRA Fernanda Tomás PRODUÇÃO EXECUTIVA TEUC 2010

Saturday, July 10, 2010

Coimbra um outro olhar - apontamentos cénicos




Coimbra um outro olhar / Festival das Artes


11h00 – 13h15, 17 e 24 de Julho – Frente ao Museu Machado de Castro
Lotação limitada. Informações e Reservas, Tel. 239 702 630

ORGANIZAÇÃO
CMC Departamento de Cultura/ Divisão de Acção Cultural e Festival das Artes

Percurso pedonal por artérias menos exploradas da Alta Coimbrã, promovendo e valorizando o património local com destaque para o contexto histórico, arquitectónico e sócio-cultural da cidade. Ao percurso juntam-se apontamentos cénicos específicos sobre personalidades literárias ligadas à cidade.

PRODUÇÃO ARTÍSTICA
Casa da Esquina.
CRIAÇÃO E INTERPRETAÇÃO
Ricardo Correia, Helena Freitas e Carlos Marques
INTERVENÇÃO PLÁSTICA e FOTOGRAFIA
Filipa Alves

Artigo do Jornal A Cabra