Monday, April 29, 2013

Peter Brook no National Theatre

Viver em Londres tem destas boas histórias como a de hoje: Sir Peter Brook no National Theatre. Posso afirmar que foi uma história feliz, apesar da fila enorme para os returns tickets, acabei por entrar (felizmente acabo sempre por ter um bilhete, mas sempre depois de sofrer com a impossibilidade de entrar). Sir Peter Brook, depois de ter deixado o seu país, voltou ao National, não para ocupar o cargo disponível de director artístico do cessante Nicholas Hytner mas para falar do seu último livro The Quality of Mercy - Reflections on Shakespeare. A conversa, com o jornalista Mark Lawson e o público, foi curta, mas ainda assim um prazer. Eu não consegui evitar rever-me naquela quantidade de pessoas que atentamente escutavam este Mestre do Teatro. E se calhar arrisco dizer que o seu trabalho é sobre a escuta, a escuta do Eu e do Outro. Vamos aos detalhes: Confessou que poderia ter seguido o caminho previsto e depois da RSC ter seguido para o National, mas a sua intuição seguiu outro caminho, foi à procura de um novo Teatro onde fosse possível cruzar culturas, e que rejeitasse a supremacia ocidental branca, claro está. Supremacia que ainda rejeita e que nada explica o racismo que ainda se assiste, que nada explica quererem fechar as fronteiras. "Fuck that" disse para um plateia atónita e caucasiana. Mas não houve burburinho. E também ele poderia ter seguido o caminho ocidental, mas como se sabe experimentou outros no CICT no Bouffes de Nord. Falou-nos de um dos seus actores africanos portentosos que não seria a primeira escolha para representar Ariel da Tempestade mas que a troco da sua leveza de espírito, conseguiu "inhabit Ariel". Distinguiu entre "Inhabit" e "Incarnate". Sendo que para ele só um actor em cada geração consegue fazê-lo (Incarnate), mas que se os restantes conseguirem "Inhabit" já é muito bom. Não referiu se o actor que encarnou King Lear foi Paul Scotfield quando o representou aos 40 anos. Humilde mas ainda assim determinado respondeu às questões que vieram da plateia e por coincidência foram pessoas de diferentes países. Falou-nos de Shakespeare, mas que o melhor era mesmo comprar o livro. E foi isso que fiz. E claro que fiquei na fila para o o autógrafo (1ª vez que fiz isto), e confesso que não deixei de me sentir como um menino que vai pedir um desejo ao Pai Natal de barbas branquinhas. Disse-lhe que era Português e que estava a estudar Teatro por Londres, desejou-me boa sorte! Que mais poderia fazer... Ainda por cima com uma fila enorme atrás de mim a desesperar pelo desejado autógrafo. Vamos lá ler o livro que se faz tarde.

Friday, January 18, 2013

Em Londres na LISPA / BOLSEIRO GULBENKIAN

Para quem perguntar o que estou aqui a fazer na neve londrina, é isto:

Devising Theatre and Performance

Advanced CourseWhile the emergence of the Poetic Body dominates the journey in the Initiation Course, the Advanced Course focuses on a contemporary approach to different theatrical territories and performance languages. All of the languages you will explore are very physical, and demand from you the ability to negotiate highly transposed levels of play. The aim is to increase your physical, poetical and intellectual understanding of the underlying structures within very different theatrical territories. This exploration will not only allow you to develop a better insight into what kind of theatre and performance you feel really passionate about, but also the ability to go beyond already existing forms in order to create your own work.

Advanced Course Program
Storytelling
Epic Drama
The grand passions of human nature
Human comedy and Farce
Chorus and the hero in tragedy and modern drama
Buffons, fools and the folie of the mysterious
Theatre of the Grotesque
The clown and the red nose
The comic worlds of the Burlesque and the Absurd
Cabaret Comique
Techniques of dramatic construction
Introduction to classical and modern text
Final group performances

Wednesday, December 12, 2012

A CASA na Galeria Boavista LX... DIA 14 DE DEZEMBRO

Wednesday, November 14, 2012

TEATRO SEM CORTES/ THEATRE UNCUT pela 1ª vez em Portugal




“The Clock is ticking. The time is now” Neil Labute 
fotogaleria:  http://www.ruadebaixo.com/galeria/fotografias/?gid=38892

Theatre Uncut nasceu no Reino Unido, em resposta aos absurdos cortes ao financiamento no Reino Unido, e vamos abraçá-lo também em Portugal. A Casa da Esquina irá promover este movimento designado Theatre Uncut / Teatro Sem Cortes, pois assenta-nos que nem uma luva: a Crise é comum, ampla e afeta de diferentes formas todas as estruturas culturais europeias.
Este ano os dramaturgos convidados são de vários Países (Grécia, Síria, Espanha, E.U.A, Islândia e Reino Unido) e escreveram peças curtas em resposta a diversas temáticas tais como: a crise europeia, o estado do capitalismo global, e o movimento Ocuppy.
A Casa da Esquina, associou-se a este projeto pois também em 2012 teve um corte de 100% em relação ao apoio anual do extinto Ministério da Cultura obtido em 2011, porque simplesmente os concursos de apoio anual e pontual não abriram! E continuamos em 2012, nós e todo o tecido cultural português, a definhar enquanto espera pela abertura dos ditos concursos.
Por estas razões queremos que todos participem e se juntem a nós em protesto contra esta barbárie generalizada que arruína a Cultura e o que ela representa em termos de cidadania, pluralidade e Democracia.
Convidamos todas as pessoas a comparecer no dia 17 de Novembro às 17h para assistir à leitura das peças disponibilizadas pelos dramaturgos do Theatre Uncut e debater sobre o colapso social e cultural que assola a Europa.

RICARDO CORREIA


A peça O Nascimento da minha Violência, será lida na garagem para todo o público presente.
Todas as outras peças lidas, posteriormente, em loop entre às 17h e as 19h, cabendo aos espectadores a escolha à qual querem assistir.
Cada uma delas será lida num espaço diferente em torno da Casa da Esquina.  Atenção: Algumas delas terão lotação limitada.


1.      O nascimento da minha violência de Marco Canale (Espanha)
 Tradução de Ricardo Correia e Revisão de Filipa Alves
LOCAL: GARAGEM

2.      Ontem de Helena Tornero (Espanha)
Tradução de Sofia Martins e Revisão de Ricardo Correia
LOCAL: CARRO

3.      O preço de Lena Kitopoulou (Grécia)
Tradução de Jonathan de Azevedo e Ricardo Correia
LOCAL: SALA DO PISO 0

4.      No príncipio de Neil Labute (EUA)
Tradução de Jonathan de Azevedo e Ricardo Correia
LOCAL: JARDIM ENTRADA RUA FERNANDO MELO

5.      A fuga de Anders Lustgarden (Reino Unido)
Tradução de Jonathan de Azevedo e Ricardo Correia
LOCAL: CORREDOR PISO 1

6.      Ponto Morto de Blanca Doménech (Espanha)
Tradução de Filipa Alves e Ricardo Correia
LOCAL: WC

Leitura/Actores: Adiana Silva, Alice Santos, Cláudia Carvalho, Inês Pereira, Joana Santos, Miguel Lança, Miguel Silva, Ricardo Brito, Ricardo Correia, Sara Diogo e Sofia Martins.

Concepção e Direcção: Ricardo Correia


 Eu vou projetar a cara de todos os líderes europeus, líderes democraticamente eleitos, por todos os povos da Europa, e disparar um tiro na testa, isto se já tiver a segurança suficiente em não acertar em nenhum espectador. Ou então transformar a minha mão em forma de arma e fazer Pum. Vamos ver se alguém me censura.
Excerto da peça O nascimento da minha violência” de Marco Canale http://www.theatreuncut.com/
http://www.ruadebaixo.com/galeria/fotografias/?gid=38892