Tuesday, November 29, 2016

CLUBE DE LEITURA TEATRAL THEATRE UNCUT 16

Estão abertas as inscrições para mais uma sessão do Clube de Leitura Teatral - Coimbra. Até dia 1 de dezembro, envie-nos um e-mail para clube.leitura.teatral@gmail.com.
Os ensaios estão previstos para os seguintes dias no Teatro da Cerca de São Bernardo:
- sexta-feira dia 2 de dezembro das 20h às 24h
- segunda-feira dia 5 de dezembro das 20h às 24h
- terça-feira dia 6 das 14h30 às 17h30

A apresentação será terça-feira dia 6 às 18h30 no TCSB - Teatro da Cerca de São Bernardo (consulte o nosso evento Clube de Leitura Teatral / Por Ricardo Correia)
Ricardo Correia vai orientar os ensaios onde, juntamente com todos os interessados, trabalhará seis pequenos textos elaborados por seis dramaturgos em seis dias. Venha conhecer e fazer parte do resultado destes trabalhos concretizados no âmbito do Theatre Uncut, realizado este ano em Copenhaga, a propósito da crise de refugiados.
Fotografia de Cláudia Morais

MUSEU DA EXISTÊNCIA

Ser ator.
Por vezes leio uma tira do Calvin and Hobbes sobre a arte da ilusão ( exponho que li no correio da manhã era do restaurante entenda se, e pergunto me porque o jornal Publico as deixou de publicar)
Por vezes acordo e percebo que não tenho voz.
Nesta semana tive de aprender tudo de novo. Ganhar a voz. Emitir um som. Um passo de cada vez. É como aprender a andar.
É doloroso. É um processo de aprendizagem. É como ser ator. Mas está a voltar. Estou a voltar.
Por vezes volto a ser ator para saber como é.
Por vezes penso nos meus atores e percebo porque os amo.
Por vezes fico espantado com este ofício.
Por vezes releio o museu da inocência do orhan pamuk
Por vezes vou a casa das pessoas pedir momentos de felicidade e objetos associados.
Por vezes encontro essas pessoas num ensaio geral e comovemo nos juntos.
Por vezes estreamos um espetáculo que é um museu que é um espetáculo

Por vezes O museu da existência no teatro Virgínia em torres novas.
É hoje vai haver festa. Esta a chegar -18 e 19 de novembro - as 21h 30.
Apareçam.





O REPUBLICARIO

O Republicário
Convento São Francisco, Coimbra.
de 6 a 8 de outubro as 10h30 e 14h30 e Sábados as 16h.
CRIAÇÃO: Celso Pedro, Filipa Malva e Ricardo Correia
INTERPRETAÇÃO: Celso Pedro
ESPAÇO CÉNICO E FIGURINO: Filipa Malva
TEXTO E ENCENAÇÃO: Ricardo Correia
Vamos criar uma República. Do que é que precisamos? Um hino. Check. Uma Constituição, que garanta direitos e deveres. Check. Falta alguma coisa?
Talvez uma bandeira nacional. Com duas cores e 12 bolinhas que representam as 12 cidades da República Não sei das quantas conquistadas na Revolução que tirou este País do jugo do… tiranete Monstro dos sete estômagos que enchia o bandulho com o trabalho escravo dos cidadãos.
Nesta República acabadinha de inventar, contamos a história de um vendedor de enciclopédias que percorre, sentado em cima da sua bicicleta, a famosa e enferrujada Princesa, o país de lés a lés e que adora ouvir na rádio fado desafiado.
Tudo ia bem no melhor das Repúblicas possíveis, mas certo dia tudo parece desmoronar-se. De repente algo perturba os cidadãos da República e a partir desse dia já ninguém se lembra do hino nacional. Ninguém sabe a diferença entre a República e a Democracia? Porque é importante votar? Ou mesmo o que é a República?
O País entra em crise. Fazem-se debates na emissora nacional. Mas nem nas Enciclopédias que o nosso Republicário vende se encontram as respostas. Ao que parece elas estão incompletas trazem algo estranho que invade o espaço público e atordoa os cidadãos da República Não sei das Quantas.
A culpa será sua? O Republicário, sem respostas e para salvar a sua face, entra numa grande aventura para tentar salvar a República e os seus símbolos que entretanto foram esquecidos. Pelo meio ainda se propõe a fazer algumas erratas.
Será que esta República tem salvação?
Guerra Junqueiro deixou-nos o mote para este espetáculo: “Há mais luz nas 24 letras do alfabeto do que em todas as constelações do firmamento.”
Ricardo Correia
https://www.youtube.com/watch?v=e-uk6VQ6wgc





TITULO DE ESPECIALISTA

Comecei há um ano a escrever o título de especialista, uma memória como disse e bem um dos membros do júri, sobre o meu país é o que o mar não quer.
Um trabalho de criação que usou princípios do trabalho colaborativo. Defendi e foi aprovado. Partilho pela felicidade e porque tive um debate com pessoas incríveis no júri. Carlos j pessoa, António Fonseca, Nuno m Cardoso, Fernando mora ramos, claudia Marisa e joana Fernandes.
Agradecido aos que me ajudaram (e muito) a levantar este projeto e que foram cúmplices no fazer deste pequeno momento de felicidade.
Já está e venham outros.

workhsop de Teatro Documental por Ricardo Correia em Leipzig na Alemanha, encontro organizado pelo gruppe tag.

A Casa da Esquina de 4 a 10 de Julho promove um workhsop de Teatro Documental por Ricardo Correia em Leipzig na Alemanha, encontro organizado pelo gruppe tag.
Este encontro internacional de Teatro Político, reúne vários criadores de países europeus para debaterem a fronteira ente Arte e Ativismo e o papel do Teatro num tempo de agitação social.
Mais info:
http://gruppe-tag.de/partizipation-im-politischen-theater/
Participation in political theatre
Politics in theater works between the poles of suggestion (emphaty), agitation (convincing) and partizipation (activization). Beyond the agitation of political issues and the suggestion of morality values from stage, the idea of political theatre is also to look at the process of doing theater in a political way and to open this process for participants. This might happen over a modus of interacting with the audience on stage or to find new possibilties of producing a theatre play.
Therefore exists many different methods and styles. The so called "Forum Theater" is just one of the renowned methods. The workshop sequence "participation in political theater" tries to analyse different possibilities of making the stage to a "social place". The idea is to find answers for questions like: When there is a forum on stage? What is the stage as a social place? Which methods and tools do we have to bring people together on stage.
We want to create a sequence of workshops which thematizise this issues and to test our results in the end on stage with an audience.

Este País não é para Artistas


Ricardo Correia, encenador, actor, professor… melhor dizendo e nas suas próprias palavras, é um “fazedor de teatro” porque confessa ter dificuldade em posicionar-se apenas num termo. Começou cedo nestas lides de palco. Primeiro em Braga no teatro universitário, passando pelo Teatro Nacional S. João no Porto e finalmente em Coimbra. Sempre procurou coisas que queria fazer e começar a encenar foi uma resposta natural a essa necessidade de querer olhar o mundo e querer dizer alguma coisa. A docência vem depois um pouco por “arrasto”, na educação não formal inicialmente e agora na Escola Superior de Educação de Coimbra.
Hoje em dia, conta-nos, neste meio não se pode fazer só uma coisa. A profissão assim o obriga também a estar constantemente atento ao que se passa ao seu redor. É isso que tenta despertar nos seus alunos e nos actores que encena.
No meio de vozes de fundo que aquecem para o ensaio que se seguia, diz-nos que não é o papel dos artistas o de mudar o mundo, mas ser um motor para propor ao outro, através de pistas e indícios, que permitam uma leitura que nos ligue de volta ao mundo, que nos “belisque só pra sabermos que dói - às vezes isso é preciso…”. Não se considera moralista nem é esse o papel de um artista. Sente que o papel dos artistas está a “esvaziar-se” e que infelizmente é cada vez mais difícil criar novo público e manter o que já se tem, talvez face às propostas “fáceis” que são colocadas de mão beijada e de “fácil digestão”. Apesar disso o carácter que é transversal a quem é artista, não lhe permite desistir!
O país é para artistas e tem mesmo de ser, conta-nos. Ao falar do projecto que o levou a terras de Sua Majestade - “ O meu país é o que o mar não quer” - um espectáculo de teatro documental que nasceu da sua estadia em Londres em 2013 enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e foi construído a partir do seu relato pessoal incidindo nos testemunhos de emigrantes portugueses qualificados recolhidos através de entrevistas, cartas, fotos e e- mails. Estes testemunhos eram de pessoas que conheceu em Londres e que tiveram de sair do nosso País devido às medidas de austeridade da TROIKA e do Governo Português, ou que deixaram o País por vontade própria mas que agora não conseguem regressar por falta de perspectivas de futuro no país de origem. É a sua estória, a história de uma geração dividida entre partir e ficar.
“Apesar deste país nos andar a tratar mal - a todos e não só aos artistas - carregamos connosco uma espécie de utopia que nos leva a acreditar e a querer voltar sempre. É aqui que é o nosso lugar e é aqui que temos uma palavra a dizer”.
Coimbra, 01/07/2016
© Carlos Gomes

O MONSTRO DE BRUXELAS

Ontem ao ver o ensaio do espetáculo que estou a encenar - O Monstro de Bruxelas - dos nossos alunos do 3º ano da licenciatura de TeatroEducação/ESEC, senti que o nosso trabalho é tão premente, tão urgente pois indaga sobre o nosso futuro.
Estamos a fazer o nosso trabalho, não somos um oráculo que prevê o futuro e dita morais e ortodoxia a seguir, mas um radar que deteta o que vem aí, e o monstro está a rugir...
A peça é A Europeia do autor francês David Lescot, com tradução da Isabel Lopes, colega e docente do curso de Teatro e Educação.
Chamamos o espetáculo de O MONSTRO DE BRUXELAS, pois trabalhamos (como o título indica) com o monstro (o pessoal, nacional e europeu). Assim criamos figuras proto-grotescas, com uma corporalidade não finalizada, que revelam todas as ambiguidades do mundo nas suas protuberâncias, e que confrontam o homem consigo mesmo, a partir dos seus defeitos. O Teatro poderá ser isso. Um espelho que nos reflete, mas será sempre um espelho quebrado por um martelo, um espelho que nos reflete deformados.

O autor escreveu esta peça sob o signo do ano do diálogo em 2008 mas ainda hoje os problemas são os mesmos. Com a BREXIT ficamos com um projeto Europeu ainda mais frágil, quase a estiolar.
Se o espetáculo pergunta como é que nós chegamos até aqui, hoje pergunto o monstro acordou e agora?

https://www.youtube.com/watch?v=l1OcVTa58pU

http://www.tsf.pt/cultura/interior/o-monstro-de-bruxelas-em-coimbra-5257146.html

  http://portocanal.sapo.pt/noticia/95205